domingo, 7 de outubro de 2012

O que é, e o que foi, o Riot Grrrl?




Não foi do dia para a noite que as mulheres conseguiram um espaço mais amplo no rock. Foi um longo processo que começou durante o século XIX e início do século XX com intensas atividades feministas nos Estados Unidos e Inglaterra. Desde sua criação nos anos 50, o rock veio passando por diversas mudanças, e na década de 70, em resposta a todas as bandas com uma exuberância e melodia mais trabalhada, é que surgiu o punk, com um som mais escrachado, seguindo o lema do “do it yourself”, e com ele, a primeira banda formada apenas por garotas, as Runaways – ideia da guitarrista e vocalista Joan Jett – inspiradora para que as mulheres conquistassem algum espaço, mesmo que mínimo na música, uma vez que sempre foram vistas voltadas para o lado pop, diva, mostrando o corpo, um estereótipo comum da sociedade machista.




O termo 'Riot Grrrl' hoje perdeu um pouco do seu valor de seu sentido real e as ideias praticamente foram esquecidas. Observando alguns blogs e sites, vemos cantoras como Madonna e Lady Gaga sendo nomeadas como"Riot Grrrls "(?) assim como tantas outras do pop que nada tem a haver com esse movimento feminino. É uma pena ver que as cantoras de hoje, pouquissimas, pensem em usar sua musica como uma mensagem de apoio e ajuda as mulheres, como um grito de liberdade feminino.  Ao inves disso o que muito se ver é letras de conotação sensual e apelativas...





Pode-se dizer que movimento o “Riot Grrrl” surgiu em meados dos anos 90 no cenário de Olympia (cidade universitária perto de Seattle) com as garotas do BIKINI KILL, que são consideradas os maiores símbolos deste movimento. 


Bikini Kill

As “Riot Grrrls” tentam revitalizar ou florescer a liberdade feminina, a capacidade das mulheres de fazer Rock e quebrar seus dogmas, lutar por seus direitos e contra os velhos padrões estéticos e morais. 
O rock sempre se mostrou um tanto “machista”, embora seja conhecido como “REVOLUCIONÁRIO”.  A imagem mais difundida da “mulher no rock” é a daquela tiete histérica, ou de uma musa frágil e facilmente influenciável que dificilmente teria “capacidade” para tocar algum instrumento musical como guitarra, baixo ou bateria... É PRINCIPALMENTE CONTRA ISSO QUE AS RIOT GRRRLS LUTAM... 


O movimento encontrou na ideologia PUNK os fundamentos básicos para se rebelar- embora até os “PUNKS” terem demonstrado uma cena um tanto “machista”. É complicado mas o RIOT GRRRL também “tem que” procurar espaço na cena PUNK. 
Os principais “meios de comunicação” entre as garotas são os Fanzines ( revistas, panfletos) que são distribuídos principalmente em lojas de CD`s e coisas do gênero, reuniões e páginas na internet e é claro as BANDAS FEMININAS. A grande maioria das meninas que se consideram neste movimento são de classe média e adolescentes, dependentes de mesadas ou então, quando adultas têm profissões liberais, são: Webdesigner , Publicitárias etc. A intenção do movimento é informar a mulher de seus direitos e incentivá-las a reivindica-los, além de denunciar os abusos sofridos pela mulher perante a sociedade.


Uma das principais formas de expressão do Movimento Riot Grrrls, além de protestos, foi o uso da música Punk como forma de mensagem para informar as garotas que frequentavam os shows dessas bandas sobre este movimento.



Significado: RIOT GRRRL

Em português, "RIOT" é desorganização, encrenca e "Grrrls" (Girls), garotas. Isso não quer dizer que o movimento seja desorganizado, e sim revolucionário que luta por suas idéias e direitos preservando os métodos e morais punks e procurando não ameaçar nenhum outro grupo.
http://www.onlyfreak.com/group/63



Feminismo+Punk+Defesa das minorias= RIOT GRRRLS


Estes são as principais características do movimento. Uma maneira de misturar a luta pelos direitos das mulheres e de vários grupos (homossexuais, negros e outros excluídos pela sociedade machista e preconceituosa) com a energia do Punk Rock e o respeito entre as “diferenças”. 


O ponto principal é a luta pelo EQUILÍBRIO de forças entre os sexos e a quebra dos preconceitos existentes. As “riot grrrls” procuram destruir revistinhas que “tornam” as meninas “prendadas” com dotes domésticos e dependentes dos homens, além da imagem feminina aliada à fraqueza e aos moldes de estética, que forçam garotas a ser o que a MÍDIA impõe e não o que elas realmente querem ser ou são. 

Para uma Riot Grrrl o mais importante é ter atitude, fazer protestos e não se conformar com os padrões machistas, além de ter opinião própria e principalmente aceitar as diferenças entre as pessoas, evitando que as “diferentes”sejam alvo de preconceito. 


AS LÍDERES!


Não se pode dizer que existam “lideres” no movimento “RIOT GRRRL”, pois cada garota deve fazer o que quer e defender seus pensamentos e não ser “influenciada” ou “obedecer” alguma líder; contudo algumas mulheres conseguiram muito destaque, tornando-se verdadeiros símbolos das “Riot Grrrls”. 

Sem dúvida o maior destaque é a Kathleen Hanna, vocalista do Bikini Kill, cuja banda pode ser considerada uma das primeiras (se não a 1a) do movimento, além de ser muito radical. 

Nos seus shows, as garotas do Bikini Kill ( nem todas as Bandas Riot Grrrls, veja bem...) costumavam “mandar” os rapazes para as filas mais longe do palco, deixando as garotas nos melhores lugares. Além disso, elas entregavam folhas com as letras das músicas para que AS FÃS pudessem acompanhar melhor as canções.


Kathleen Hanna

Movimento Riot Grrrls no Brasil

O sucesso das Bandas Riot Grrrls vêm pela prática do feminismo em 
suas letras para manter o lema: se os homens podem, eu também posso! Ou ainda: Só para meninas!


Banda Dominatrix


No Brasil a banda de maior destaque é a banda de hardcore feminista Dominatrix, liderada pela vocalista e guitarrista Elisa Gargiulo. banda surgiu em 1995 e ainda está na ativa, fazendo shows e realizando verdadeiros debates sobre as diversas causas femininas e o direito das minorias e grupos marginalizados. Há bandas como o extinto Bulimia, Biggs, Pulso, entre outras,que também abrangem outros assuntos além do feminismo, como a banda Suffragettes, que defendem, além do feminismo, também o vegetarianismo, a filosofia straight-edge, a preservação ambiental, dentre outros assuntos, cada vezmais crescentes nas cenas undergrounds. Além das bandas, o movimento contou com portais, zines e e-zines, todos curiosamente inativos. O mais recente se chama Menstrual Attack, e foi fundado em 2008 com o objetivo de informar e apoiar bandas “femininas e feministas” envolvidas com o underground, nacional e estrangeiro. A




última postagem do e-zine data do ano de 2009. O mais importante zine do movimento era o Bendita Zine, surgido em 2001,que tinha a proposta de chamar a atenção para as violências cometidas contra mulheres, publicando casos verídicos relatos em primeira pessoa.
Ao final do Bendita enquanto projeto, uma das idealizadoras divulgou a seguinte nota:

“É muito complicado explicar o que faz com que a gente se dedique por tanto tempo a uma empreitada e depois resolva deixar de lado. Não quer dizer que o valor daquelas ideias tenha se perdido, mas simplesmente que com o passar do tempo passamos a acreditar mais em outras abordagens, isso pela nossa experiencia, pela nossa historia de vida e pelas 
expectativas que nós criamos.

Bom, eu posso falar por mim, e estou cansada. Cansada, mas não desacreditada entendam. Bom, isso é só para dar um apontamento para quem costumava ainda frequentar a pagina do bendita. Aquela contribuição se foi, o que ela representava não, e isso não quer dizer que desistimos.”






Apesar de pleno anos 90 a mulher já ter algumas liberdades, ainda muito se discriminava a mulher. Até hoje ainda é assim: blogs machistas e de cunho machista a atacar a mulher são frequentes na internet. Além de denegrir o feminismo colocando-o como , mulheres que querem ser melhores e superiores aos homens, apesar do machsmo ser tão repudiante, o feminismo não é, da mesma forma, em versão feminina, apenas é colocado assim , mas quem conhece a verdadeira historia e luta sabe que não. É até triste ver que mulheres não conhecem o feminismo e usam de forma errada e estúpida.


Vejamos o manifesto de 1991 feito no fanzine Bikini kill edição #2 abaixo do Movimento Riot Grrrl:



MANIFESTO RIOT Grrrl: 


Porque nós meninas anseiamos fazer discos, livros e fanzines que falam o 
que sentimos nos incluído e que podemos entender e seguir nossos próprios caminhos.
Porque nós queremos tornar mais fácil para as meninas para ver / ouvir o
trabalho das outras para que possamos compartilhar estratégias, 
criticar e aplaudir umas as outras.
Porque temos de assumir os meios de produção, a fim de criar o nosso próprio barulho.
Porque vendo nosso trabalho como sendo ligado a nossas amadas-política-real viver é essencial se nós vamos descobrir como 
estamos fazendo impactos, reflete, perpetua, ou perturba o status. 
Porque reconhecemos fantasias da Revolução armada, instantânea Macho, como 
mentiras práticas destinadas a manter-nos simplesmente sonhando em vez de 
se tornar real os nossos sonhos. E assim procuram criar a revolução em nossas 
vidas todos os dias por prevendo e criando alternativas para a maneira 
cristã, de besteira capitalista de fazer as coisas .
Porque queremos e precisamos incentivar e ser incentivada em face de
todas as nossas próprias inseguranças, em face da rock machista que 
nos diz que não podemos tocar os nossos instrumentos, em face de 
"autoridades" que dizem que nossas bandas / zines / etc são os piores que os feitos por homens nos EUA e em todo o mundo.
Porque nós não queremos impor a outra pessoa (menino) padrões do que é ou não é.
Porque não estamos dispostas a vacilar sob a alegação de que somos 
reacionárias "sexistas reversas" e não o "verdadeiropunkrocksoulcruzados" que 
sabemos que realmente são.
Porque sabemos que a vida é muito mais do que a sobrevivência física e 
são claramente conscientes de que o punk rock ", faça você mesmo" a idéia é crucial para a revolução do rock vindo da furia 
grrrl que procura salvar a vida psíquica e cultural de meninas e 
mulheres em toda parte, de acordo com seus próprios termos pessoais , e não nosso.
Porque estamos interessadas ​​em criar maneiras não-hierárquicas de ser e
de fazer música, amigos e cenas baseadas na comunicação e entendimento mais,
em vez de competição, mais a categorizações bom / mau.
Porque fazer / ler / ver / ouvir coisas legais que validam e nos 
desafiam pode nos ajudar a ganhar a força eo sentido de comunidade que 
nós precisamos, a fim de descobrir como besteira como o racismo, 
bodieism-able, ageism, especismo, classismo, thinism, sexismo, 
anti-semitismo e heterossexismo figuras em nossas próprias vidas.
Porque vemos promover e apoiar cenas da menina e artistas menina de todos os tipos como parte integrante desse processo.
Porque nós odiamos o capitalismo em todas as suas formas e ver o nosso 
principal objectivo a partilha de informação e de permanecer vivo, ao 
invés de fazer lucros de ser cool acordo com os padrões tradicionais.
PORQUE estamos com raiva de uma sociedade que nos diz Garota = Girl, mudo = Girl, Bad = fraca.
Porque não estamos dispostos a deixar nossa raiva real e válido ser 
difundida e / ou se voltou contra nós através da internalização do 
sexismo como testemunhado na menina / jealousism menina e auto derrotar 
comportamentos girltype.


Porque eu acredito que com a minha whole heart mind body que as meninas 
constituem uma força de alma revolucionária que pode, e vai mudar o 
mundo para está ideia ser real.





Bandas Riot grrrls a nivel mundial:


7 Year Bitch, Babes in Toyland, Allison Wolfe vocalista da Bratmobile, Bikini Kill, Bratmobile, Cheesecake, CWA(Cunts with Attitude), Excuse 17, Fabulous Disaster, Gossip, Heavens to Betsy, Hole, Huggy Bear, L7,
Le Tigre, Mambo Taxi, Pussycat Trash, Skinned Teen, Sleater-Kinney, Tattle Tale, The Breeders, The Gits, Voodoo Queens, etc. etc.


Bandas Riot Grrrls brasileiras:


Dominatrix, Rock Roach, Cosmogonia, Sündae, Banda Pulso, Anti-Corpos, The Hats, Miss Junkie, Hell Cats, Lava, Suffragettes, Biggs, Cínica, Biônica, Santa Claus, Bertha Lutz, SA44, Bonecas de Trapo, Virtuose HC, HedeOma, Lolittas, Endorfina, Toxoplasmose, Banda Marimite, Riot Kill, Baby Lizz, The Jezebels, Frida Punk Rock, Blas Fêmea, Endometriose, etc.



***Vídeos de Algumas Boas Bandas Riot Grrrls:


The Breeders | Cannonball (Official Video)


The Breeders - Walk it Off


The Gits - Seaweed


The Gits - Insecurities


The Gits Second Skin


Le Tigre - FYR


Pussycat Trash - Wish Fulfillment


Voodoo Queens - i'm not bitter (i just want to kill you)


Bikini kill - Rebel Girl


Bikini Kill - I Like Fucking


L7-Everglade


Skinned Teen - Pillowcase Kisser 


L7 - Wargasm


Sleater-Kinney - "Entertain" Live


What If I Was Right- Sleater-Kinney


Fabulous Disaster - "Suck It Up" Pink & Black Records


Bratmobile - Come Hither


Bratmobile - Shut Your Face


The Hole - Celebrity Skin



The Hole - Skinny Little Bitch


7 Year Bitch - In Lust You Trust


7 Year Bitch - The Scratch


Babes in Toyland - Bruise Violet


Babies in Toyland - All By Myself



Lunachicks - "Don't Want You" Go-kart Records


Lunachicks- The Babysitters on Acid


L7 - Pretend We're Dead (Live in Rio)


Huggy Bear - Blow Dry



The Distillers - Drain The Blood



The Distillers - The Hunger Live


Babes in Toyland - Dust Cake Boy (Live)





Está disponível o DVD: “Don't Need You: The Herstory of Riot Grrrl” realizado por Kerri Koch, é um documentário sobre o movimento riot grrrl contendo entrevistas, cartazes, fotografias das bandas, etc.


Há também alguns shows que acontecem todo o ano relacionados às bandas femininas/feministas como o LadyFest Brasil e Festival de Rock Feminino ambos no estado de São Paulo. Também temos um festival menor em Brasília chamado Go Go Girls, entre outros espalhados pelo Brasil.




Já passou a época de garotas rebeldes e nervosas fazendo um rock de qualquer jeito, hoje há mais apoio e aceitação das pessoas sobre esse tema, mas isso não que dizer que ainda não exista um certo preconceito, ele está muitas vezes camuflado. E como vocês podem ver há muitas maneiras para combater isso, seja fazendo um zine, um show, uma banda ou simplesmente trocar idéia com alguma pessoa mal informada. Não precisamos nos separar pra mostrar que também podemos fazer um bom rock e contribuir para o meio underground. Basta você ser sincero com aquilo que faz e acredita, sendo tolerante perante as diferenças não só entre homens e mulheres, mas entre uma forma de pensar e outra.




Fontes:

Blog Anarkolítico (o texto da Jozi Rizzari principalmente!) além dos sites abaixo mencionados.




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2 comentários:

  1. “Feminismo não é coisa só de mulher!
    A luta por direitos iguais entre homens e mulheres interessa a ambos os sexos. Ao libertar as mulheres, o feminismo também liberta o homem da sufocante obrigação histórica de tomar sempre a iniciativa, de estar no comando, de ser o provedor, de ter que ganhar mais.

    O feminismo é antes de tudo uma luta por direitos HUMANOS. A nossa espécie enquanto espécie não pode ir pra frente enquanto metade for escravizada pela outra metade."

    Avante Riot Grrrls,desde que seja dentro deste ponto de vista, concordam?

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  2. Excelente comentário, amigo! Parabéns! Há muita desinformação sobre o que seja o Feminismo...Acredito que o Feminismo seja algo capaz de resgatar o planeta, por estar valorizando o lado feminino do mesmo que o patriarcado insiste em escravizar e dominar, como o fazem com o mundo...Só que nosso planeta aguentará mais até quando??

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